
No consultório odontológico, três mulheres conversam sobre um tema típico da paixão feminia: Novelas. Conversa vai, conversa vem, uma diz que nunca viu uma novela tão sem graça quanto A Vida da Gente. Para ela , uma novela sem vilão de dar medo, fazendo dezenas de maldades, maquinando mal o tempo todo, não é uma novela de verdade, o que as outras prontamente concordaram.
Como ariana que sou,noveleira de plantão nas horas vagas, sou obrigada a discordar. A vida da gente é exatamente como o autor disse que seria: baseada em dramas reais, de pessoas normais, nos mostra problemas cotidianos, sem soluções mirabolantes a extraordinárias ao final do capítulo. Não tem um grande vilão, mas a vida da gente é assim. Com a sorte que temos, podemos respirar aliviados sem uma Nazaré Tedesco a nossa espreita do alto da escada; não precisamos conviver com uma megera como a Tereza Cristina, nem com uma pessoa com dupla personalidade, como a Norma, ou o Samir Hayalla.
Os nossos vilões diários são os problemas enfrentados dentro do casamento, um filho no leito de um hospital, um sonho não compartilhado por nosso parceiro, que nos frustra, dificuldades financeiras, e etc. Problemas encarados dentro da trama, com leveza, que nos fazem sentir normais diante de tantas circunstâncias anormais.
A Vida da Gente é uma novela mela cueca, como diria alguns mais exigentes por tramas enroladas, com direito a robô com a cara do grande amor da vida de um homem, viagem ao centro da terra, armações sem fim e ilimitadas, com o grande vilão escapando no final de tudo para um paraíso desconhecido, mas ainda assim, a novela das seis é muito mais realista do que um monte de asneira que é exibido no horário nobre, que deixa o telespctador se sentindo um idiota ao ser tratado pelo autor como tal.
Para mim, A Vida da Gente tem o tom certo para o horário. A Eva e o Jonas são maléficos, mas são pessoas que podemos comparar com quem conhecemos e cruzam nosso caminho. Desvio de caráter que pode ser ajustado, diferente de sociopatas que não mudam nunca; estarão sempre atrás de uma maldade mais complexa. E desse tipo de vilão, a tv já anda saturada, não precisamos de mais em pleno fim de tarde.
Pode ser que no final da trama o autor me surpreenda e mude totalmente o comportamento dos personagens e os trasformem naquilo que parte do público diz que quer ver. Se isto acontecer, minha opinião poderá mudar sobre a novela (ou não). Por enquanto, penso assim. E torço para um final feliz para a Ana, outro para a Manuela, a Júlia, o Rodrigo e os demais personagens que se tornaram de repente tão íntimos da gente por afinidades que descobrimos neles, em uma relação ímpar com A Vida da Gente....






1 comentários:
Sugiro mudança de título da novela para "As Desgraças da Vida". Acho que a autora confundiu DRAMA com DESGRAÇA. Mães com ódios vicerais; personagem que rouba literalmente a vida da irmã como mulher e mãe; câncer de próstata. Não tem leveza, a novela está PESADA. Parece que a autora não perdoará ninguém. Tem um tal de "Wilson" que penso que a batata dele está assando. Daquí há pouco é outro que estará a beira da morte. UFA !!!!!!!!!!!!!
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